BEM-VINDOS, TIJOLINHOS!

Vamos construir juntos esse espaço de convivência e troca de figurinhas sobre artesanato, cinema, livros, decoração, filhos, jardinagem, horticultura e tudo mais de bom que possa surgir!


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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Família café-com-leite


Comercial de margarina geralmente está associado pejorativamente a uma utópica família feliz, a algum tipo deLink irrealidade. Eu penso que, já que o assunto "mãe" está em voga atualmente, que aquela dita mãe que deseja o melhor para sua família sempre fará o que estiver ao seu alcance para que esse "comercial" se realize. Pôr a mesa para o café da manhã, tudo combinandinho, um vasinho de flores, um bule fumegante, comidinhas cheirosas... O capricho nesse cenário gera expectativas: será que vão gostar do bolo? Será que vão começar bem o dia depois de comer o pão tostadinho? Será que vão reparar que comprei o iogurte preferido? Será que a marca nova de geléia vai ser aprovada? Difícil pra mim é sentar junto, com tantos detalhes, tantos preparativos. O suco de laranja tem que estar fresquinho, pra não perder as vitaminas (filha só quer sem bagaço, já o marido adora). Cada um come numa velocidade diferente do outro, ainda mais que o horário da escola não permite atrasos... Nos fins de semana é ainda mais trabalhoso, pois as panquecas de sábado e o cuscuz do domingo se institucionalizaram, o marido não fica sem, o filho diz que tanto faz (mas sente falta que eu sei), a filha só quer panqueca se for com nutela e eu deixei de comprar para ajudar a evitar as espinhas juvenis. Complicado agradar a todos, mas o sonho do comercial permanece, não finda. Ainda conseguiremos sentar juntos, o leite fumegando ao mesmo tempo em que o suco mantém o frescor, o pão ainda crocante, o ovo com gema mole para a filha "matar" e o mexido com presunto, queijo e ervas para o filho saborear enquanto o marido corta o queijo coalho assado sobre a tapioca úmida de leite de coco. Alguém ficou com fome? Eu fiquei. Já escrevi um texto sobre um jantarzinho humilde feito pelo meu tio há tempos... Eu estava começando a faculdade de Letras e quis expressar o quanto uma refeição simples poderia ser apetitosa e visualmente atraente, com minúcias de detalhes do próprio ato de comer! Meu tio é artista plástico, estilista, vitrinista, ou seja, alguém que valoriza a aparência de uma mesa de forma a tornar o alimento sobre ela algo especial. Espigas de milho douradas, mingau de aveia, pão com ovo e café com leite foram a combinação mais deliciosa vivida naquele semestre antes de apanhar o ônibus para as aulas. Nessa mesma casa, há muitos anos, havia faltado luz e tomei, à luz de uma solitária velinha, a mais gostosa sopa de feijão com macarrão do mundo, acompanhada de um singelo copo de leite.
Talvez eu perca tempo demais com detalhes, tempo que eu poderia estar aproveitando de outras formas. Mas eu sonho com o comercial de margarina, ou de suco, ou de queijo, ou de goiabada: eu sonho com a família que prepara a refeição em conjunto, senta e conversa, enquanto aprecia o que come. Não precisamos ser loiros e lindos, nem a louça estar toda combinando, mas que a harmonia possa reinar, nos humores e nos sabores.


Para todas as mamães, para as que esperam, para as que já têm, para as que não têm mas amam os enteados, sobrinhos, a todos como se fossem filhos, um feliz domingo.
Beijos

quinta-feira, 31 de março de 2011

Meu melhor e a saudade de vocês...

Um blog pode ter diversas utilidades: pode ser um confessionário, pode ser uma vitrine, pode ser um muro de lamentações, pode ser um ponto de encontro de almas irmãs, enfim... A princípio julguei ser um espaço de troca de figurinhas entre apreciadoras do faça você mesmo. Investi inicialmente no registro de meus experimentos, citando minhas fontes inspiradoras. Cabe aqui um parêntesis para que eu conte como entrei na blogosfera:
Foi na época da monografia, encerramento da faculdade e eu pesquisando de um tudo sobre Monteiro Lobato e afins, em busca do tema que minha orientadora aprovaria. No meio dessas pesquisas, não sei bem como, não lembro mesmo, caí no Mixirica. Receitas com textos maravilhosos da Tatu Damberg, vivências e muita simpatia. Me encantei e comecei a visitar, a ver os blogs relacionados e fui parar na Casa da Chris, da Chris Campos. Deliciosas tergiversações acerca de culinária e decoração, e um pouco de craft, que amo. Mais uma adição. Daí entre os posts surgiu o Banana Craft com toda a sapiência em costura da Daniele Sinhorelli e a lista foi aumentando... Todos os outros blogs adicionados em seguida tinham uma raiz em comum: bom humor, criatividade, talento e principalmente solidariedade, doação.
Foi assim que tudo começou e já vi acontecer de tudo ou quase entre blogueiras... Promoções, sorteios (já tive o prazer de ser contemplada duas vezes, uma pela Eva das Peripécias... e outra pela Daniele do Banana Craft). Ainda não fiz parte de encontros entre blogueiras (cadê o povo daqui de Fortaleza?) nem de troquinhas, pois não produzo ainda peças de qualidade e fico até sem jeito, tem muita gente boa aí que arrasa! Sou uma expectadora, uma eterna curiosa e que ainda não avançou para a etapa seguinte, aquela em que se é mais ATUANTE. Atuar na vida é uma coisa, estar até o pescoço de obrigações, deveres, responsabilidades. Atuar naquilo que se gosta, dar um passo maior, arriscar o pescoço numa empreitada, acreditar, se encher de entusiasmo e ir à luta é outra coisa. Estou ainda vivendo no piloto automático e para passar para a fase dois desse game terei que enfrentar obstáculos, provas, monstros e desafios desconhecidos. O importante é não se desviar do objetivo e para tanto algo deve mudar no padrão de comportamento, na rotina que não estava funcionando. Estou aqui no modo confessionário do blog expondo meus medos e anseios, falando de projetos futuros e ainda sem apresentar nada de concreto, sem me DOAR em algo de efeito. Eu gosto muito de cinema e creio que as dicas que ora deixo por aqui são algo que posso dizer que são minhas máximas ofertas no momento, além de receitas ocasionais. Nem todo mundo quer saber da vida de todo mundo por saber, gostamos da boa prosa, do acréscimo que a mesma nos dá para a vida, da informação de valor. Pois a minha de hoje será a seguinte:

Um filme extremamente sensível, com atuações primorosas. Em português o título dado foi "Lars e a garota ideal". Vale a pena. Tem humor e amor. Como todas nós, blogueiras com mais ou menos "estrada".
Beijos

quarta-feira, 23 de março de 2011

VOU SUMIR!

Por motivos de força maior, estarei ausente do convívio de quem aparece para ler minhas mal escritas linhas e conferir minhas mal batidas fotos... Amo toda a blogosfera animada e prestativa, amo até mais do que devia, ocupando muito tempo a ser usado de forma mais produtiva (questão de organização). Preciso de disciplina, e estarei travando uma busca pessoal em busca dela a partir de iniciativa própria e determinação, pois não sou celebridade para ter um guru famoso... O UNIVERSO me guiará, com certeza. Aquelas propagandas apelativas que falam da mulher moderna que dá conta de tantas coisas e ao final do dia ainda está linda e maravilhosa não cola, comigo não. Estou quase sempre um caco e tenho deixado muitos cuidados pessoais básicos de lado. Então, quando nos reencontrarmos, espero estar mais focada e menos queixosa, um hábito aliás, que pretendo definitivamente erradicar! Para encerrar (por ora) deixo algumas belas imagens, a maior parte delas da minha lista de projetos futuros para partir feliz desse mundo:

Visitar os fiordes da Noruega, um espetáculo da natureza.

Conhecer um castelo medieval, que pode estar num cenário etéreo de contos de fada...

...ou prestes a ser circundado pela maré, como Mont Saint Michel!

Comer maçã do pé, o objeto de desejo da menina nascida em terras semi-áridas que desenhava arvorezinhas e seus frutinhos em formato de corações...

Por fim, unhas crescidas, como as desejo! Estas da foto foram esculpidas em gel, algo que devo utilizar para dar início ao processo de cura do vício infantil.

Até breve, assim espero.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mamones e O Feitiço da Lua

Anteontem à noite aprendi um termo novo vendo a entrevista do Ronnie Von com a Gabi: mamone. Os italianos assim chamam os indivíduos que se encontram no estado de adolescência "tardia", adultos que ainda moram com os pais e/ou encontram-se numa situação de semi-dependência financeira e/ou emocional, que pode se prolongar indefinidamente. Quem assistiu O Feitiço da Lua, filme ambientado em Nova Iorque no bairro italiano do Brooklin, pode ver um exemplo dessa situação na personagem Johnny Cammareri, interpretada pelo ator Danny Aiello: um homem de meia-idade que ainda necessita da aprovação da mãe que mora na Itália para escolher a noiva, no caso Loretta Castorini, interpretada por Cher. O filme em questão deu o oscar de melhor atriz a Cher, tem trilha sonora tipicamente italiana, com tarantelas e outros clássicos. Tem romance e humor, além do charme canastrão de Nicolas Cage, que funciona perfeitamente. Olimpia Dukakis está divertidíssima como a mamma sofrida que sabe fazer valer seus direitos ao mesmo tempo que tenta direcionar a filha para um casamento sem amor como única forma de evitar desilusões futuras. Por fim, o que importa (sempre) é que a família fique unida, independente dos dissabores...
Amo a lua, especialmente a nova e a cheia.
Me encanta esse filme, a música me emociona muito.
Não me vejo indo aos EUA apreciar ao vivo tantos cenários de filmes que gosto, não por falta de vontade, mas por me recusar a tanta humilhação para conseguir um visto. Tenho DVD player, olhos e ouvidos atentos, além de pipoca e manga da camisa para enxugar as lágrimas...



http://www.youtube.com/watch?v=dWJzKdM8QgA&feature=player_embedded

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Dando um gelo no desespero


Queridos, estou em dívida com todos. Promessas de fotos, suspense com a viagem de férias (parece que já faz um ano) e nem uma linha a mais, nem um PAP, nem uma reflexão de vida... Só umas xeretadas vez em quando pra suavizar meu atual estado de stress. Pois é, ninguém merece ouvir lamúrias e se tenho postado pouco é por simplesmente não encontrar assuntos agradáveis para expor. Ainda não consegui ajudante fixa (somente aquela com sérios problemas na vida pessoal que comentei no post anterior) e estou com certas limitações físicas decorrentes de um problema de saúde que venho adiando pra resolver. Só aí dá pra ter uma idéia, né? Fico pensando numa cunhada lá da Bahia que segurou uma casa com 5 filhos (sem ajudante) e sempre deixando tudo um brinco de limpeza, comidinha gostosa na mesa e roupa cheirosa de cama, mesa e banho. Minha sogra é quem fala que as mulheres de hoje não têm condição de lidar com o que as de antigamente lidavam. É a mais pura verdade, eram outros tempos, épocas de sacrifícios da saúde e do espírito em prol de uma realidade que parecia a mais lógica. Hoje as mulheres estudam, trabalham, colocam os filhos lá pra depois dos mestrados e doutorados, das promoções, da casa própria, e chegam a antecipá-los ao casamento propriamente dito. E existem as empreendedoras que mesmo numa casa com marido e filhos, não deixam de ganhar seu dinheirinho com alguma atividade e são organizadas a ponto de fazer a casa funcionar com a colaboração de todos os moradores, verdadeiras comandantes do lar!
Estou precisando de uma consultora de VIDA. Minhas engrenagens estão emperradas e a coisa não está fluindo como deveria. Perdi o rumo e preciso de ajuda, não somente de uma faxineira ou passadeira eventuais, mas de método, de liderança.
Para não dizer que não tenho notícias boas, um progresso: a geladeira nova já está habitando a minha cozinha apertadinha! Chegou tem uns 15 dias, precisamos mandar inverter as portas, mas já está maravilhosamente integrada ao novo ambiente que está se formando! Agora é nosso bebê, tudo que entra é criteriosamente selecionado e delicadamente posicionado(nunca tive geladeira com prateleiras de vidro). O grande barato é a lâmpada! Sabe há quanto tempo a lâmpada da minha não funcionava? Nem lembro nem quero lembrar... Bola pra frente e gelinho automático no copo!
Um brinde ao progresso! (O meu tá no começo, mas é um começo, aguardem posts mais animados em breve)
Beijos!
P.S.: A foto acima é do modelo que adquirimos, a BRASTEMP INVERSE, com o freezer embaixo. Bem espaçosa, tenho apenas que aprender a organizar meus potes de congelamento de forma mais eficiente(congelo arroz e feijão pra semana, além de coentro e cebolinha, e preciso de mais potes quadrados e menores, tenho muitos redondos). Breve posto fotos da cozinha com o novo layout(olha mais promessa aí!), mas quero colocar uns toques cute pra que vocês sintam a diferença do astral do espaço. Até lá!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Anjo de avental


People, que saudade de todos!
Alguém que já quis ser jornalista, escritora e tals, deveria escrever diariamente! Sou um fiasco, como diria a Cíntia... O fato é que estou abarrotada de fotos legais da viagem e eventos recentes, mas estão presas no note do marido! E ainda por cima o cabo da câmera sumiu!!! Mas nada de pânico, desculpem nossos problemas técnicos, estamos trabalhando para minimizar todo o incômodo...
Já contei que minha arrumadeira de anos se aposentou, né? Pois estou com uma pessoa quebrando o galho que já me encheu de angústia: marido preso, risco de perder as filhas num doloroso processo de pedofilia, por aí. O mundo tem dessas coisas, por mais que se tente fugir delas. E já envelheci uns cinco anos no processo de "abarcar" todo o trabalho de arrumação e conservação da casa. Só lembro daquela frase: "Agora é que sinto a dor de uma saudade..." Minha ajudante fazia tudo. Não que eu obrigasse, explorasse. Era o ritmo dela. Ela também é mãe, esposa e tem uma casa, mesmo que pequena. Ela sabe fazer o tempo trabalhar a seu favor. E é alto astral, não é do tipo cara amarrada ou que fica se lamentando. Lavava, passava, cozinhava e quando meus filhos eram pequenos, já dormiu aqui em casa pra que eu e maridex pudéssemos dar uma passeadinha pra namorar. Morava longe, numa cidade-dormitório vizinha, ou seja, acordava muito cedo pra apanhar condução e muitas vezes não conseguia lugar sentado para enfrentar a longa distância. Começou a sentir dores no braço, depois nas pernas, sofria de pressão alta e no meio disso tudo perdeu a filha de 14 anos para uma leucemia. Ela nesse períodos mais "brabos" da vida fez umas pausas no trabalho. Eu respeitei seu luto, suas dores e cansaço e me virei como pude. Ela sempre voltava, porque precisava pagar suas contas e acredito que também pela necessidade de conviver com um mundo um pouco menos sofrido que o dela. Seu primeiro marido era alcoólatra, não ajudava nas prestações da casa e ameaçava o filho mais velho. Ela então dividiu a casa em que moravam em duas para poder ter mais tranquilidade num espaço dela e dos filhos. Chegou a morar em outro bairro, mas aí foi ele que adoeceu de saudade e depois de um câncer que o levou em pouco tempo. E ela ficou com ele até o fim. Ela já anunciava que ia encerrar suas atividades, mas sempre tinha um dia pra salvar a mim, um de meus irmãos ou minha mãe do sufoco. Aí vieram os miomas e não deu mais, ela começou a sangrar direto e precisou fazer uma cirurgia de emergência que a deixou de molho por um bom tempo. Aí, c'est fini, já era e hoje ela já tem um novo marido e cuida só da casinha dela, o que é bem merecido... mas ficaram nós, os órfãos de sua agilidade e maestria em deixar apresentável e cheirosa uma casa de 3 quartos e 4 banheiros com 2 adultos e 2 adolescentes fazendo e acontecendo. Hoje vou me virando, tentando obter mais colaboração dos filhos e marido no processo, mas foi um período muito longo de mordomia... O negócio é ter fé e torcer pra saúde dar conta do rojão!
A você, Marlene, nosso anjo na terra por tantos preciosos anos, por sua tranquilidade, seu sorriso e suas palavras carinhosas, nosso MUITO OBRIGADO.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Meu mundo e nada mais

Não, não acordei ao som de Guilherme Arantes... Ando tão imersa em meu jardim ultimamente que tenho sonhado verde! Minhas unhas não estão nada bonitas, tenho arranhões nos braços e até na testa... Mas minha convivência com minhocas e cochonilas, bagana e uréia, argila expandida e cascalho me fez remoçar uns cinco anos... em espírito(o sol quente envelhece, viu?). Um pouco de meu mundinho kitsch pra vocês:








Quem quiser aparecer pra tomar um refresco de tamarindo, comer um muffin de tomate, provolone e manjericão e finalizar com um bom sorvete de creme com cobertura de geléia de amora não se faça de rogado... Quase não quero mais sair do meu cafofo! Só pra um cineminha vez em quando, isso enquanto não instalarem uma tv de LCD na minha varanda...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Desafio Colírios! O passado bate à sua porta...

Existe beleza de todo tipo: a óbvia e aquela que vem num pacote contextualizado, que pode ser traduzido como talento, carisma, atitude, elegância ou algo mais. Algumas imagens recentes não mostram o artista no momento em que fiquei arriada os 4 pneus por ele, outras já traduzem o quão a criatura envelhece como o bom vinho, como dizem... Algumas figuras fizeram parte de uma juventude cinéfila e despreocupada, mas no final de tudo as lembranças embalam sorrisos e lágrimas, suspiros poéticos e saudades...

Robert Sean Leonard, aqui como um dos médicos da série DR. HOUSE. Me acabei de chorar com sua atuação em SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS e me encantei com seu charme e sorriso em MUITO BARULHO POR NADA. Este último, recomendo demais a quem gosta de musicais e Shakespeare...

Ralph Macchio, de KARATÊ KID. Muito gracinha(estou tão Hebe), lembrava aquele nosso vizinho de rua, alguém com aspecto tão comum, mas tão cheio de garra num filme tão gostoso de se ver com a turma do colégio, duas sessões seguidas(bons tempos)! A primeira a sério, a segunda para uns beijinhos com o paquera da vez ou pra fazer bagunça mesmo, daquelas de chamar o lanterninha...

Esse docinho de coco(meu Deus, eu tenho 100 anos!) de sorriso arrebatador e olhos de desmontar mulheres de qualquer religião, me apaixonei em O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS. A última visão que tive dele foi na série LIPSTICK JUNGLE, com a Brooke Shields no elenco. Já não estava tão lindinho, e com a expressão bem mais cínica. Andrew Mc Carthy é o seu nome.

Quem imaginaria que o magrelinho de NAMORADA DE ALUGUEL se transformaria nesse pedaço de mau caminho? Patrick Dempsey foi nosso grande presente nesta primeira década do novo milênio, ainda arrasando corações como o Dr. Mc Dreamy de GREY'S ANATOMY...

Peter Gallagher me chamou a atenção inicialmente em SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE. Fui me encantar com ele, já maduro, em THE O.C. . Recentemente assisti um DVD bem saidinho do início dos anos 80, ele bem novinho com a Daryl Hannah, os dois em plena forma em AMANTES DE VERÃO, muito à vontade nas ilhas gregas... Para apreciadores do turismo e do naturismo, rs.

Falando em naturismo, Lagoa Azul juntou aqueles elementos bíblicos de paraíso e fruto proibido na mesma criatura: Christopher Atkins. Nessa foto ele não está na melhor pose, mas foi a mais decente que encontrei no google, rs. Assistido com namoradinho no cinema, cujo bilheteiro não acreditou que eu tinha 16 anos! Voltei em casa pra pegar a carteira de identidade e esfreguei na cara dele. Essas coisas não acontecem mais hoje em dia, de errarem minha idade pra menos.

Mais SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE. Peter Gallagher era o canalha, James Spader o bonzinho atormentado. repararam que curto uma carinha de bebê, cabelinho tipo família Dó-Re-Mi e lábios grossos? Isso era na adolescência, gente... Quem viu sabe o que o rapaz estava fazendo nessa hora... Hoje o bichim tá rechonchudo demais, com o também hiper-rechonchudo William Shatner(que morou em meu coração em seus dias de glória como o Cap. Kirk) em BOSTON LEGAL.

Esse aí Cíntia conhece bem... Foi um vampiro maduro muito sedutor em A HORA DO ESPANTO.
Chris Sarandon, um malvadinho pra você chamar de seu, hehehe.


As choronas de plantão que não viram UMA JANELA PARA O CÉU não sabem quantas caixas de lenços economizaram. O irmão menos badalado do Jeff Bridges estava muuuuuito fofo nesse filme. Amo uma carinha de cachorrinho que caiu da mudança... Beau Bridges, I LOVE YOU!

Olhe, não é por nada não, mas... PÁRA TUDO! Eu confesso, eu admito. Não ligo pra cabelo tanto assim... Sou louca por Ed Harris, ele pra mim é sexy ao extremo! O SEGREDO DO ABISMO foi o primeiro, depois vieram muitos outros, até AS HORAS, em que ele interpreta um gay aidético, transpira paixão e masculinidade.

Esse senhor aí é hors-concours. Talento, carisma, beleza, elegância, atitude e só melhora com o tempo. BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID, GOLPE DE MESTRE, PROPOSTA INDECENTE, só pra citar alguns. Uma lenda viva! Tiro o chapéu e o que mais ele quiser...(caramba, hoje estou fora de controle!)

O desafio está feito! Que vai remexer no baú das lembranças, escarafunchar seu passado de fanzoca e mostrar pra gente seus eleitos? Estou esperando...
Beijocas

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Shopping "de coca"

Olê, olá! Direto do túnel do tempo... Neste dia que não me lembro, há uns dois anos, mais ou menos, eu e maridex fomos fazer umas comprinhas no centro. Estávamos malhando na época (percebam isso pelo nosso gestual malandragem, rs) e procurávamos, entre outras coisas uns shorts "maneiros" para a academia. Não vou mentir, sei que centrão é o lugar para se perder nas pechinchas (odeio pechinchar) e encarar caos, multidão, calor e outras mazelas! Simplesmente não curto esses percalços mas os enfrento vez ou outra em que me recuso a pagar uma fortuna num jeans para a filha ir na escola ou tenho que garimpar artigos mais em conta para a casa. Pela foto podem ver que estava de bom humor e não é pra menos, meu cabelo estava em ordem(hehehe), além de estar na melhor das companhias de aventuras:

Já sacaram porque se chama shopping "de coca"? Não? Pensem mais um pouco...
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De que forma conseguimos examinar as "peças" à venda?
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DE CÓCORAS!!!

Beijos para todos que curtem (ou necessitam de) um mercado popular!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Enfeita aqui, paparica ali, recebe acolá...

Bom dia, queridas! Como foram de final de semana? O meu foi de muita organização (quase todo, sempre relaxo aos domingos) e vistoria no "cafofo de campo", que já está caminhando a passo forte, depois de toda a léria de projeto e aprovação em prefeitura. Por lá devo decorar tudo bem mais do meu gosto, pois o espaço será rústico, simples, com tudo craft de bom gosto... Adivinhem que cômodo será esse onde estou?

Flor do mato... Até o mato pode ficar lindo de olhar, mas cuidado com as urtigas!

Enquanto isso, na "mansarda" vou inventando coisa pra essa estante que divide a sala da cozinha (coisa da antiga moradora). Como dizia a minha avó: "Quanto mais você se abaixa, mais o ... aparece", isso vocês podem perceber pelo cenário de fundo(sem trocadilho) dessas áreas da sala/cozinha. a antiga moradora devia adorar aquelas velhas novelas da globo dos anos setenta/oitenta, quando o marido chegava em casa e a mulher ia logo preparar um uísque no bar. Pois é, temos um bar... imenso! Mas esse já é outro capítulo da saga. Como não bebemos tanto assim, onde deveriam haver garrafas, coloquei livros, revistas e demais bregueços sem local definido. Como não há portas que escondam as prateleiras desse "bar cultural", fatalmente um desavisado ou fotógrafo pouco competente (eu) deixa à vista esse universo prosaico de um lar abarrotado... Enfim, que acharam de minhas xícaras com recheio colorido? São para dar as boas-vindas, convidar para um chazinho... (tem de várias cores, rs)

Minha mãe já teve uma pequena sorveteria. Herdei essas taças pesadonas de milk-shake que ficavam tristemente guardadas, sem muito uso no dia-a-dia. Enchi de sal grosso, pus canudinho e "cereja" de plástico e agora dou boas-vindas também aos festeiros, que curtem uma fast-food!

Ah, os paninhos para esconder a ferrugem do teto da geladeira... Escodendo os problemas em baixo do tapete? Contei que não fabricam mais desse modelo? Que não tem mais borracha pra vender? Pintura só quando for pro cafofo, gentem...

Evinha periperalta me inspirou a mostrar alguns dos meus livrinhos queridos... Relax e aprendizado!

Na sexta houve homenagem às mães da academia de balé da filhota...

Ganhei este mimo porta-recadinhos, que vai combinar lindamente com a cozinha com toques de laranja! Tânia e Cinária, gostaram de minha blusa de bolinhas? Comprei num brechó...

Por fim, o presente que ganhamos de um vizinho de "roçado", tirado na hora! Almoçamos dela com frango ensopado no almoço, comemos da danada no café da manhã e ainda tem um monte congelada pros famosos caldinhos, bolinhos, escondidinhos e o que mais for imoral, ilegal ou engorde, kkkkkk! Brincadeirinha, tchurma...

Feliz semana!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Reciclar com criatividade sim, mas...


Descarte é um negócio engraçado. Vira e mexe vemos depoimentos de gente que encontra objetos no lixo e que transforma em algo incrível! Coisas que pra uns não valem nada e pra outros são um achado, algo com incrível potencial... Já vi muito na net sobre gente que recicla elepês velhos derretendo no microondas e fazendo cachepôs. Ok, ok, já diria Nelson Rubens... Tem casos que é mesmo pra inutilizar o vinil devido a arranhões, maus tratos e mudança do gosto musical. Mas quando o bichinho tá em boas condições, dá pena, muita pena como o que fizeram na festinha das mães do colégio do sobrinho-afilhado. Pediram doações para os pais e familiares, e o povo deu mesmo. Menos, claro, meu irmão. Ele é historiador e está sempre buscando preservar o passado. Faz gravações de voz das figuras mais vividas da família, como as avós. Pega delas depoimentos, receitas, fotos... Enfim, voltando aos discos: a escola fez colagens com os mesmos, com cola quente e fotos das mães (o tema era panorama musical dos anos 50, 60, 70, 80, 90 e 2000). Após a festa, meu irmão não teve vergonha de pedir para levar todos os que conseguiu salvar. Limpou a cola como pôde, com água quente, óleo de cozinha... escutou e alguns ainda estavam em excelente estado! Muitos verdadeiras relíquias, outros nem tanto. Fiquei encarregada de fazer as capas, então vou viajar no design e me divertir com esse resgate. Nada contra quem faz os famosos cachepôs, mas... se o bichinho estiver em boas condições e não for uma bomba, dê uma chance a um apreciador escutar e se deliciar com o chiadinho típico... Eu já tive ABC VOZ DE OURO, só tinha AM e o toca-discos naquele movelzão, alguém mais?

Só pra recordar...

sábado, 15 de maio de 2010

Na selva

Maridex aparou a grama. Com nosso cortador de fio de nylon que dá uma dor nas costas danada. Isso por conta do "bolo" dado por DOIS jardineiros (um, depois outro) que tentei contratar para fazer a manutenção do gramado do jardim. Cheguei a sondar na estufa onde comprei meus vasinhos de flores vermelhas (beijos), mas ele falou que estavam sobrecarregados e não deu nem previsão de quando poderia vir fazer esse serviço... Engraçado que não somos caloteiros, queremos pagar e ainda assim não encontramos um profissional disponível para algo tão simples. A grama ainda ficou um pouco alta, o que garante diversão à beça para o Espeto, que se sente o próprio personagem de "A marca da pantera".

Sopa apaixonada



Ficou parecendo uma borboleta, mas são dois coraçõezinhos recortados de fatias de pão, devidamente besuntados com manteiga e passados na frigideira, para arrematar uma sopa cremosa de legumes que esquentou a barriguinha da filha em uma noite chuvosa...
Eu e meu irmão quatro anos mais novo tínhamos esse fetiche com sopas: adorávamos a "sopa de menino doente", que simbolizava um gesto de carinho em forma de alimento quentinho, dado na boca do "dodói"...
Quem por aí também curte uma sopinha temperada com afeto?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A busca


Passei por mais um concurso visando funcionalismo público. A tal da segurança, estabilidade. Quando temos vinte anos, podemos jogar conversa fora sobre assuntos assim, tergiversar sobre opções, caminhos a seguir, rumos na vida. No ponto em que estou, ou se engaja ou não se engaja. O tempo urge, a vida clama por definições, metas. Não vivo nenhuma grande crise que necessite uma virada, nada me pressiona. Só minha consciência. Triste pela sensação de poder ter sido muitas coisas, feliz pelo que conquistei, incerta pelo que ainda posso ser. O velho dilema. Fiz minhas opções e hoje tenho a família que sempre quis. Se deixei de fazer coisas que gostava? Sim, mas essas mesmas coisas eram feitas ao sabor do vento, em meio a devaneios, sem grandes compromissos. Tive uma juventude relaxada, não rica mas confortável, e nunca fui ambiciosa, batalhadora. Meus sonhos ainda são modestos e mais observo que ajo, o grande erro. Sei que nem tudo está perdido, que posso correr atrás e entrar de cabeça em qualquer projeto, basta que EU QUEIRA MUITO. Filhos crescidos, marido compreensivo, o que me falta? O pontapé inicial, o compromisso comigo mesma, a coragem de dizer não a muitas coisas, não exatamente aos prazeres do tempo livre, mas aos maus hábitos adquiridos com ele. Tudo isso sem perder a ternura.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Da dificuldade em lidar com o luto II


Quando eu tinha quatro anos, minha mãe me levou para um velório nas vizinhanças de casa, quando morávamos no bairro São Gerardo. Um garotinho de dois anos havia sido atropelado por um caminhão. Hoje imagino que talvez minha mãe quisesse me mostrar desde cedo que a morte fazia parte da vida, mas eu, em nenhum momento depois dessa experiência, cogitei em proporcionar algo semelhante a um filho que porventura tivesse. Era muita dor, para todo lado. Desespero da mãe, que se agarrava ao pai. A imagem do menininho, com os algodõezinhos nos ouvidos e nariz, foi demais pra mim. Chorei muito, e se serviu pra alguma coisa, foi pra morrer de medo de caminhões e me manter à distância deles. Eu não tinha idade para dar pêsames a ninguém na época, e hoje, adulta, tenho desconforto e angústia magistrais quando surge ocasião para tal.

Já casada e com um filho de pouco mais de um ano, que frequentava creche, era de praxe que convivesse com outras mães e pais de crianças da mesma idade. Como a creche pertencia ao trabalho do marido, normal que alguém desse grupo fosse colega de trabalho dele. Assim foi com Ronildo Pimentel. Pernambucano, magro e piadista, estava sempre presente nos almoços e encontros com a turma antes mesmo de meu casamento, por conta dos Light Bikers. Pedalar era a grande onda no final de 80/início dos 90 em Fortaleza. Imensos grupos se reuniam e saíam em rotas pré definidas à noite, com batedores e carros de apoio, garantindo a segurança dos ciclistas e o desepero dos motoristas. Dependendo do dia, levava-se vários minutos até que o grupo inteiro liberasse um cruzamento importante de ruas. Ronildo não ficou só nessa de passeios noturnos. Partiu para trajetos mais longos e chegou a ir a Recife, sozinho, com a mochilinha e a coragem. Com um amigo, fez sociedade numa loja de peças e acessórios para bicicletas. Ele e a esposa, Dira, tinham três filhos homens e adotaram uma menininha, Tatiana. Eles, bem morenos, ela, ruiva e branquinha, seis meses mais velha que Daniel. A festa de um ano da Tati foi na Casa de José de Alencar, todos muito felizes, pois ela foi muito desejada pela família. Certo dia, Ronildo saiu com um amigo para pedalar pelos lados do Cambeba. O amigo deu pela falta dele em certo trecho do percurso e retornou. Encontrou-o caído no chão, tendo convulsões. Di me comunicou que ele estava em coma e ficamos no aguardo de notícias. Nunca se soube exatamente o que aconteceu, o que teria levado à queda. O restante da família veio de Recife para dar suporte emocional a Dira e aos meninos enquanto rezavam pela recuperação de Ronildo. Tinha ido visitá-la dias depois, e a casa estava cheia, todos ansiosos pois o quadro havia piorado. Pouco depois alguém liga do hospital e fala com ela, que dá a notícia do falecimento do marido aos filhos: "Painho se foi". A mãe dele, uma senhora de aspecto frágil, precisou ser amparada e o clima ficou daquele jeito, com o filho mais velho esmurrando as paredes e Dira, rígida, aguentando calada. Me senti uma intrusa, sem condição de ajudar em nada, sem saber o que dizer e saí sorrateiramente, até porque era hora de apanhar Daniel na creche. Fui até a classe de Tatiana e fiquei observando a menininha brincar, eu em prantos, quando a professora me perguntou sobre o estado do pai e comuniquei o ocorrido. Eu podia ter me oferecido para apanhá-la, ficar com ela enquanto o pior passava, mas não tive iniciativa, tato, para tanto. Quando são nossos parentes, não temos tanta preocupação com as palavras, pois todos conhecem nossas idiossincrasias e podemos dar um longo abraço e não dizer nada. A muito custo fui para a missa de corpo presente e morri de vergonha ao encontrar Dira:"Você fugiu...", disse ela, tentando parecer descontraída. Os meninos já estavam mais tranquilos e sorriam. Muitos colegas de trabalho, amigos, emocionados. Quando a vida é tomada de repente, ninguém consegue entender. Principalmente se é uma pessoa jovem, com tanta coisa a viver. Crianças, nem se fala.

A morte de minhas avós foi triste, mas quando se trata de idosos, acaba-se aceitando melhor, pois viveram longamente e aproveitaram tudo que foi possível. Vó Maria Carvalho estava avoadinha, com Alzheimer, e já tinha tido um derrame que a limitou em sua locomoção, além de problemas de pressão e diabetes. Quando a crise veio, foi rápido. Nos últimos tempos, só perguntava pelo marido, falecido há muito tempo. Ela era linha dura e achei que não sentiria tanto. Estava lindinha no caixão, usando uma blusa branca com detalhes em renda que eu mesma já pegara emprestada algumas vezes. No enterro, desmoronei. Estava posicionada ao longe, mas no final fui para perto de minha mãe e a abracei. Com a vó Maria do Carmo foi mais chocante pelo fato do dia anterior termos comemorado o dia das mães aqui em casa, ela de cadeira de rodas por causa da bacia quebrada em uma queda que havia sofrido no Rio de Janeiro, na teimosia em tentar montar o sofá-cama na casa da sobrinha. Estava bem-humorada e até tomou um gole de cerveja. Neste dia fiz uma torta de morangos e comprei vasinhos de crisântemos coloridos para todas as mães(cunhadas) e avós. Foi uma tarde feliz. No dia seguinte de madrugada, a notícia, dada pela Flavinha. Infarto fulminante. Soube depois que o vestido que ela usava, o mesmo do dia das mães, foi cortado de cima a baixo nas costas, na pressa dos médicos em tentar reanimá-la. Ela não tive coragem de ver depois, fiquei nos bastidores. Senti bastante, pois ela era uma força da natureza, sempre cheia de energia e bom humor, uma guerreira sempre com muitas histórias para contar.

O último capítulo dessa saga foi bem doloroso por não poder dar conforto à distância à família do marido, que não deixa de ser minha... Muitos elementos tornaram a perda mais sofrida: a pouca idade, a violência do acidente, a nova vida que Elvira estava começando. O que dizer aos pais numa situação dessas? Como consolar? Pelo telefone tudo parece ser tão frio e ensaiado, que fico até sem voz, sem ar. Nessas horas o toque, o calor humano é primordial. Palavras são apenas folhas ao vento quando se está quebrado por dentro.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Da dificuldade em lidar com o luto


Aos onze anos eu perdi meu avô paterno. Era um homem sério e circunspecto. Trabalhador, construiu um bom patrimônio para a esposa e os sete filhos. Quando eu nasci(a quarta neta), ele fez pra mim uma linda poesia: "Estrelinha". Nos comunicávamos através da lousa que ficava na parede da sala, trocando versinhos esporadicamente. Lembro de ter entrado um dia no quarto de meus avós e surpreendido meu avô de ceroulas, aquelas bem compridas, de antigamente. Não éramos de beijos, abraços e carinhos. Um dia ele se sentiu mal, andou até a Policlínica(uns quatro quarteirões), fez exames e se internou, sozinho. Só depois comunicou à família. Na noite deste dia os filhos conversavam sobre o revezamento no acompanhamento ao pai para a cirurgia de coração que ele faria. Não deu tempo, ele morreu de infarto na manhã do dia seguinte. Tinha oitenta e um anos. No velório, muita gente e muitas lágrimas de minha avó. Minha tia veio de Brasília para o funeral. Meu avô sempre dizia que não queria ser velado/enterrado de paletó, mas coberto com um lençol branco. E assim foi. Lembro que não chorei, até fiz força, achando que devia. Lembro que peguei no pé dele no caixão, por sobre o lençol, como havia visto minha avó fazer. Duro e frio. Tinha medo depois de vê-lo em qualquer lugar escuro, até dentro da lata de nescau... Tirando o temor do sobrenatural, a morte dele não me abalou tanto.

Aos vinte e um anos, perdi uma tia querida. Branquinha, sorridente e bem-humorada, me levou muito ao cinema e ao clube, com o restante da primaiada piveta. Casou e teve uma filha. Separou. Formou-se em Psicologia. Juntou e teve outra filha. Depois de constantes crises de enxaqueca e inúmeros exames de todo tipo, ela descobriu ter um aneurisma, do tamanho de uma bola de pingue-pongue. Conversou com todos sobre o assunto e as possibilidades, brincou sobre "última refeição" e fez preparativos legais(escritura da casa, bens das filhas etc). Lembro da conversa que ela teve com minha mãe(eu do lado, sem saber como inserir qualquer comentário ao ouvir ela falar no diagnóstico do médico). Desde aquele momento tive pressentimentos ruins, achei a idéia de uma cirurgia no cérebro algo por demais aterrador. Ela ficou cinco dias em coma e não voltou. Tinha trinta e seis anos. Na casa de minha avó a rotina do velório incluía choro e risos. Sentíamos fome e comíamos, inclusive minha mãe preparou um caldo "de bebo" que reanimou muita gente. Pessoas chegavam, mais choro, lembranças, risadinhas culpadas e chás com calmantes para minha avó. "Estou azeda de tanto chá!" ela disse já zangada, de tanto que ofereciam a ela. Lembro que a abracei muito, apertado. Não quis ver o corpo de minha tia. Sentava em frente ao caixão, cumprimentava todo mundo mas não quis ver, não queria essa lembrança pois sabia que me aterrorizaria no futuro e eu queria lembrar do sorriso de lindos dentes, da gargalhada, da torta de sardinha que só ela sabia fazer. Minha tia de Brasília ao ver o corpo da irmã ficou cinza, literalmente. Os olhos dela diziam tudo. Virei a noite no velório. Meu irmão que morava lá e dormia no quarto em frente à sala pediu que eu fosse dormir no quarto com ele, que estava impressionado e tinha medo de ficar só. Acabei tendo um pesadelo medonho e acordei aos gritos, apavorando a todos que estavam na sala junto ao caixão. Meu irmão? Roncava tranquilamente, enquanto eu saía do quarto aos tropeções, chorando. Me agarrei com todos e não quis mais saber de dormir. Dia amanhecendo, outra visão de uma mente transtornada: por cima do telhado da casa, julguei ver uma mulher de branco, cabelos ao vento, acenando pra mim. Paralisada, pedi a uma prima que fosse em meu socorro e olhasse na mesma direção que eu. Era um coqueiro balançando com a brisa... Vovó não quis ir ao cemitério. Por lá, meu pai fazia piada sobre como a pá do coveiro era afiada. Foi uma perda real, eu gostava dela e tivemos uma boa convivência.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pride and Prejudice


Nunca na vida havia lido Jane Austen. Assisti, sim, a Razão e Sensibilidade e é um dos meus filmes favoritos. Fim de semana passado passamos todos na Saraiva e observei a seção dos pocket books. Orgulho e Preconceito me encarou e pensei: "Já é tempo!" Falem o que quiserem de Crepúsculo, mas a série de Stephenie Meyer me impulsionou aos clássicos romances ingleses, os quais ainda protelava ler. Nem sempre são leituras fáceis, que o diga O Morro dos Ventos Uivantes! Na maioria das vezes, já tendo visto o filme, dificilmente encarava o livro. Mas resolvi me pôr à prova e exercitar minha mente neste desafio. Sou louca por romances, isso todo mundo já sabe, o que motiva a mergulhar no enredo de tramas complexas até se chegar ao final... Admito que devorei o livro mais ardentemente ainda sabendo que o filme passaria num canal específico em poucos dias. Adorei os dois, e ainda quero assistir à outra versão de 1995, com o Colin Firth, que acho maravilhoso. Nessas horas sinto falta de um bom amigo gay, cinéfilo e sensível, que suspiraria comigo, derramaria lágrimas e não reclamaria pela falta de cenas "quentes" na história. Ao final, comentaríamos aspectos do roteiro adaptado e tomaríamos um sorvete coberto com tudo o que mais engorda... Esse post está influenciado principalmente pelo clima londrino que ora se instala in my city. Nublado, cinza e úmido, com direito a ventos gélidos e aroma de flores mortas.

domingo, 21 de março de 2010

Inverno doce


São José não falhou. Dia 19 choveu de madrugada, forte. Muita água. Mas o calor continuou insuportável... Acordei com aquele céu cinzento, cheiro de telha molhada e banhada em suor. Há algo muito errado com o clima, com a natureza a nossa volta. A chuva está persistindo, o tempo está quente e úmido. A grama agradece, quem a molhava duas vezes ao dia também. As plantas estão viçosas e se você estiver abrigado e deitado em uma rede confortável, é a melhor época para demoradas sonecas. Sem falar dos chazinhos com biscoitos e os glamourosos fondues de queijo à noite, com um bom vinhozinho. Depois do dia 11, depois do dia 11...
Lembra da minha voz? Continua a mesma, mas meus ouvidos, infelizmente não... Depois de tantas idas ao otorrino, diversas limpezas e tratamentos, a região auditiva parece ter se tornado frágil e susceptível a todo tipo de mazela. Já não posso mergulhar numa piscina, lavar o cabelo no salão nem tomar um mísero banho de chuveiro sem tampões de ouvido. Um alerta a todos que curtem uma coceirinha aliviada com o que for, de maneira intensa. EVITEM. Me sinto super vulnerável agora... Parece castigo quando por diversas vezes pensei como seria bom "desligar" as "oiças" quando se tem vontade, pra evitar ouvir coisas desagradáveis, chatas e barulhentas. Amanhã, vou ver se encontro novo otorrino. O anterior deve achar que estou muito interessada nele, com tantas visitas consecutivas... e preciso de uma segunda opinião, e quem sabe, um tratamento que possa ser definitivo.
A páscoa está aí, e tenho nova receita pra testar (água na boca...), me aguardem!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Tempo


Domenico di Masi e o ócio criativo: trabalho, estudo e jogo. Fazer o que se gosta seria o ideal, mas pode-se passar a gostar do que se faz, se elementos lúdicos forem acrescentados ao ato. Não se encontram anúncios assim nos classificados... Pode ser uma questão de TEMPO.

Neste momento cai uma chuva leve, o cheiro de terra molhada do jardim está invadindo minhas narinas... Um aroma refrescante, agradável. Há semanas reclamamos por isso, pelo fim do calor angustiante que tem nos atormentado. A TEMPOrada de chuva deveria ter começado no carnaval, é o normal pelas minhas bandas. Somente precipitações tímidas têm ocorrido com mínima frequência. Chega a ser assustador. Comentei com o marido que chegamos naquela idade em que certos acontecimentos serão lembrados no futuro e nós, velhinhos, estaremos lá pra contar: "Lembra, meu velho, de 2010? Da onda de calor?"
O sol já abriu de novo, forte. Aquecimento global, nosso castigo. Deus ilumine nossos filhos para que consertem esse mundo.

Sempre quis ser cobaia de experiências científicas na área da psicologia. Não que eu queira ser simplesmente rotulada de indivíduo XKW n.245, mas para que eu possa ser decifrada por alguém. Eu, minha mente, sendo o objeto de um estudo em meu TEMPO. Gostaria de saber o que sairia daí.

Estou dispersa e sem foco. Muita coisa acontecendo, sem saber pra onde correr... O TEMPO está passando.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Cleópatra o que é de Cleópatra


Assisti em algum programa norte-americano ou li em algum lugar, não recordo, sobre uma celebridade que comentava detalhes sobre a vida pós-matrimônio. Ela enfatizava aspectos sobre papéis a serem desempenhados, e dirigindo-se às mulheres em geral, alertou: "NUNCA LEVEM O LIXO PRA FORA! " É mais ou menos assim: se você cumprir alguma tarefa específica, ficará condenada, o parceiro jamais se prestará a realizá-la e pode vir depois com o papo que você faz melhor, tem mais jeito, algo que já comentei por aqui. A celebridade era uma comediante e em geral falam fazendo piada de tudo, mas... tem um fundo de verdade nessa gracinha.
O amor é lindo e durante o namoro, se você não for uma patricinha total, berço de ouro e tal, se dispõe a brincar de casinha com o namorado. Compra objetos de decoração para o apartamento clean do amado, aparece com um peixinho num aquário para encher de vida o local, ensaia os primeiros quitutes para surpreendê-lo, rindo juntos os dois se queimou ou ficou salgado (love total). Num dia de tédio em que você está sem nada pra fazer, de bobeira cuidando do apê do boy que está viajando e vive bagunçado (faxineira uma vez na semana), você resolve fazer uma boa ação e arrumar a papelada dele (tadinho, trabalha tanto, não tem tempo nem cabeça). Se mete então a arquivista, compra fichários e aí vira oficialmente a secretária para esses assuntos organizacionais. Depois de anos de namoro e casamento, a bagunça não muda, mas a disposição dela sim... Primeiro: desiste de tentar entender as mil formas de classificar documentos. Segundo: por mais que tente expurgar o desnecessário, desiste depois que um dia sumiu um papel que foi depois procurado pelo adorado no meio de um ataque de nervos, com direito a chutes em gavetas e com aquele comentário que mata:"Eu tinha deixado isso bem aqui e tiraram do lugar!" Compreendam "bem aqui" como no topo de uma pilha de documentos aleatórios... E o tiraram, pois é, é você mesma, a terrível causadora do conflito por ter um dia se metido na bagunça alheia. Em defesa do querido, ela entende que todos temos direito a nossas bagunças privativas. Mas convivendo no mesmo espaço abajures craft e partes de carburadores, surge um momento de revolta, principalmente quando as sutis mensagens subliminares não são compreendidas (você joga tudo numa caixa e despeja no sótão, sem aviso). A mãe já a havia avisado: "Não pergunte, dê um fim na tralha e ponto final!" Mas ela é uma romântica e também gosta de guardar recuerdos, mas do tipo mais sentimental que burocrático, em caixas específicas para tal, com etiquetas, por ordem de datas, com comentários escritos no verso... Por isso ela ainda pede, de vez em quando, que ele se interesse pelos próprios comprovantes de vida e de trabalho, já que no final, ele é o especialista naquilo e sabe mais que ninguém o que merece ficar e o que deve ir pra reciclagem, sem comprometer o visual do quarto de dormir. O recado foi dado, garotas: cuidado com os primeiros gestos de boa-vontade! Acordos bem estabelecidos desde o princípio e ninguém poderá abrir a boca pra dizer que foi explorado ou coagido. E com licença, lá vou eu de volta aos arquivos X, Y, Z...