BEM-VINDOS, TIJOLINHOS!

Vamos construir juntos esse espaço de convivência e troca de figurinhas sobre artesanato, cinema, livros, decoração, filhos, jardinagem, horticultura e tudo mais de bom que possa surgir!


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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Presentinho


A Verônica Arteira me presenteou com esse selinho e pediu que citássemos 3 coisas fofas da infância, além de distribui-lo com mais 10 blogs favoritos. Como ela, eu considero ter muito mais de 10 blogs do coração, e todos os que me visitam sintam-se à vontade para adicioná-lo. Com relação às minhas lembranças fofas da infância, as que me vêm à cabeça com mais força são:

-Meu galho de estimação da goiabeira do quintal da vó paterna, onde eu me pendurava e me deliciava com as frutas "de vez", nem verdes nem maduras;

-As sessões de cinema com os primos pajeadas pelas tias, com a passada prévia nas Lojas Brasileiras para comprar bombons a granel;

-As colônias de férias com acampamento em clube de campo, com direito a toque de alvorada e gostosas competições esportivas e brincadeiras!

Adorei lembrar desses momentos!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Brasil, avante!

Afilhado no embalo...

É isso aí, galera! Quem curte toda a farra da torcida, muito petisco e barulho, cerveja gelada e xingamento, sabe do que estou falando... Divirtam-se, não dirijam depois de beber e tirem as crianças da sala na hora de xingar o juiz, rs. Durante as copas da minha infância minha pobre vovó paterna não saía da cozinha. Era batata frita, pudim, pipoca doce e salgada, filhós... Quando a bichinha aparecia na sala para ver um lance, parecia uma coisa... ou o time adversário fazia um gol ou nossa equipe fazia alguma besteira em campo. Aí o coro era uníssono: "Volta pra cozinha, vó!" Que coisa cruel e injusta, não? Pois bem, não explorem nem sejam exploradas culinarialisticamente (essa palavra existe?) e aproveitem a grande brincadeira que une tanta gente na frente de uma televisão, pois esporte é vida, mens sana in corpore sano e por aí vai... Traduzindo: nada de excessos, tudo na santa harmonia!

Beijos verde-amarelos!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A cozinha apertada - Parte II (pia)

Promessa, promessas... Por razões que vão além da minha vontade, não postei os finalmentes da Parte I da saga da minha cozinha. Hoje continuo a saga com um novo capítulo não terminado, e porquê? Mostrarei todos os podres históricos antes das soluções e melhoramentos, para uma melhor compreensão (assim acho eu).
Como saudade não tem idade, aí vão algumas imagens da minha cozinha em 2006, ainda com os mesmos azulejos e armários, mas com a pia de granito e muitos badulaques excedentes e horrendos, vejo hoje com clareza (como pude ser tão sem-noção, meu Deus?). O bom é que jamais irá piorar, com certeza, e tudo o que vier é aprendizado (obrigada mil vezes à blogosfera que tanto me instruiu!). A situação abaixo era a do aniversário da filhota, pós parabéns, hora do sorvete! Eu tentava de todo jeito fazer por onde ninguém adentrasse nesse recinto minúsculo e abarrotado, mas não tinha jeito... SOCORRO!


Como vocês podem observar, entre outras mazelas, há um listelo da parede junto à torneira faltando, resultado de um vazamento do cano que precisou ser reparado. Encontramos outro igual? Claro que não, não fomos nós que construímos a casa... Lá atrás penduradas, as tenebrosas frigideiras azuis, entre outras que não deveriam mostrar seus fundilhos JAMAIS para a humanidade. Essa pia tem um encanamento de saída da água servida extremamente ineficiente. Quando a pia enche se voce abrir a tampa do ralo de vez, a cozinha alaga (o ralo fica embaixo dela). Pedia a todos os santos que nenhuma visita prestimosa cismasse de "ajudar com a louça", pois por mais de uma vez um incauto solidário precisou ver sua boa ação se transformar num dilúvio, com operação rodo e panos de chão a perder de vista, fora o cheirinho infame! E esse cabelinho aí? Toda Eva, hein menina?

Essa foi há uns vinte dias. O listelo substituído foi o melhor que encontramos, mas eu preferiria algo neutro, se houvesse, pra não haver esse carnaval de cores e arabescos. Temos um projeto futuro de aumentar a cozinha, com uma virada radical da pia, de maneira que eu possa ver a tv da sala enquanto lavo a louça e cozinho. Será uma obra braba, tudo será quebrado de cima a baixo. Vêem o estado da parede? Um instalador da Todeschini há uns oito anos inventou de se apoiar na pia com o pé para colocar um armário. Quebrou um "cachorro" de sustentação e foi um bafafá maior do mundo até arranjarem um profissional pra endireitar no mesmo dia (rolou até mais de nove da noite o conserto graças ao meu homem-procon, o super-maridex que bateu o pé que isso não era possível etc. Só que o conserto maravilhoso com aquela massa que cola super forte durou exatamente isso, oito anos. Eles não colocaram "cachorro" novo (parece nome de banda de rock), nem mão francesa, só a cola. E os ingênuos aqui deixaram. Resultado? A pia arriou de um lado. A primeira moradora da casa nem havia vedado atrás do espelho da pia com massa ou silicone, daí as manchas nos azulejos e o MDF dos armários comprometido. Hoje sabemos que armário de pia tem que ser com madeira naval, nem se discute! Detalhe da cerâmica quebrada embaixo, onde o infeliz do pedreiro furou o cano... Mais água pros armários afofados! A mancha amarela da prateleira? FERRUGEM do fundo da frigideira ordinária que depois virou peça de decoração, lembram?


O de boné foi o que quis colar o cano furado com COLA MALUCA. Profissional do SINE? Never more!

A pia nova encheu a cozinha de brilho... Reluziu! Esses armários ainda vão me acompanhar por um tempo, portanto... maquiagem neles! Depois mostro, no próximo capítulo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Da dificuldade em lidar com o luto II


Quando eu tinha quatro anos, minha mãe me levou para um velório nas vizinhanças de casa, quando morávamos no bairro São Gerardo. Um garotinho de dois anos havia sido atropelado por um caminhão. Hoje imagino que talvez minha mãe quisesse me mostrar desde cedo que a morte fazia parte da vida, mas eu, em nenhum momento depois dessa experiência, cogitei em proporcionar algo semelhante a um filho que porventura tivesse. Era muita dor, para todo lado. Desespero da mãe, que se agarrava ao pai. A imagem do menininho, com os algodõezinhos nos ouvidos e nariz, foi demais pra mim. Chorei muito, e se serviu pra alguma coisa, foi pra morrer de medo de caminhões e me manter à distância deles. Eu não tinha idade para dar pêsames a ninguém na época, e hoje, adulta, tenho desconforto e angústia magistrais quando surge ocasião para tal.

Já casada e com um filho de pouco mais de um ano, que frequentava creche, era de praxe que convivesse com outras mães e pais de crianças da mesma idade. Como a creche pertencia ao trabalho do marido, normal que alguém desse grupo fosse colega de trabalho dele. Assim foi com Ronildo Pimentel. Pernambucano, magro e piadista, estava sempre presente nos almoços e encontros com a turma antes mesmo de meu casamento, por conta dos Light Bikers. Pedalar era a grande onda no final de 80/início dos 90 em Fortaleza. Imensos grupos se reuniam e saíam em rotas pré definidas à noite, com batedores e carros de apoio, garantindo a segurança dos ciclistas e o desepero dos motoristas. Dependendo do dia, levava-se vários minutos até que o grupo inteiro liberasse um cruzamento importante de ruas. Ronildo não ficou só nessa de passeios noturnos. Partiu para trajetos mais longos e chegou a ir a Recife, sozinho, com a mochilinha e a coragem. Com um amigo, fez sociedade numa loja de peças e acessórios para bicicletas. Ele e a esposa, Dira, tinham três filhos homens e adotaram uma menininha, Tatiana. Eles, bem morenos, ela, ruiva e branquinha, seis meses mais velha que Daniel. A festa de um ano da Tati foi na Casa de José de Alencar, todos muito felizes, pois ela foi muito desejada pela família. Certo dia, Ronildo saiu com um amigo para pedalar pelos lados do Cambeba. O amigo deu pela falta dele em certo trecho do percurso e retornou. Encontrou-o caído no chão, tendo convulsões. Di me comunicou que ele estava em coma e ficamos no aguardo de notícias. Nunca se soube exatamente o que aconteceu, o que teria levado à queda. O restante da família veio de Recife para dar suporte emocional a Dira e aos meninos enquanto rezavam pela recuperação de Ronildo. Tinha ido visitá-la dias depois, e a casa estava cheia, todos ansiosos pois o quadro havia piorado. Pouco depois alguém liga do hospital e fala com ela, que dá a notícia do falecimento do marido aos filhos: "Painho se foi". A mãe dele, uma senhora de aspecto frágil, precisou ser amparada e o clima ficou daquele jeito, com o filho mais velho esmurrando as paredes e Dira, rígida, aguentando calada. Me senti uma intrusa, sem condição de ajudar em nada, sem saber o que dizer e saí sorrateiramente, até porque era hora de apanhar Daniel na creche. Fui até a classe de Tatiana e fiquei observando a menininha brincar, eu em prantos, quando a professora me perguntou sobre o estado do pai e comuniquei o ocorrido. Eu podia ter me oferecido para apanhá-la, ficar com ela enquanto o pior passava, mas não tive iniciativa, tato, para tanto. Quando são nossos parentes, não temos tanta preocupação com as palavras, pois todos conhecem nossas idiossincrasias e podemos dar um longo abraço e não dizer nada. A muito custo fui para a missa de corpo presente e morri de vergonha ao encontrar Dira:"Você fugiu...", disse ela, tentando parecer descontraída. Os meninos já estavam mais tranquilos e sorriam. Muitos colegas de trabalho, amigos, emocionados. Quando a vida é tomada de repente, ninguém consegue entender. Principalmente se é uma pessoa jovem, com tanta coisa a viver. Crianças, nem se fala.

A morte de minhas avós foi triste, mas quando se trata de idosos, acaba-se aceitando melhor, pois viveram longamente e aproveitaram tudo que foi possível. Vó Maria Carvalho estava avoadinha, com Alzheimer, e já tinha tido um derrame que a limitou em sua locomoção, além de problemas de pressão e diabetes. Quando a crise veio, foi rápido. Nos últimos tempos, só perguntava pelo marido, falecido há muito tempo. Ela era linha dura e achei que não sentiria tanto. Estava lindinha no caixão, usando uma blusa branca com detalhes em renda que eu mesma já pegara emprestada algumas vezes. No enterro, desmoronei. Estava posicionada ao longe, mas no final fui para perto de minha mãe e a abracei. Com a vó Maria do Carmo foi mais chocante pelo fato do dia anterior termos comemorado o dia das mães aqui em casa, ela de cadeira de rodas por causa da bacia quebrada em uma queda que havia sofrido no Rio de Janeiro, na teimosia em tentar montar o sofá-cama na casa da sobrinha. Estava bem-humorada e até tomou um gole de cerveja. Neste dia fiz uma torta de morangos e comprei vasinhos de crisântemos coloridos para todas as mães(cunhadas) e avós. Foi uma tarde feliz. No dia seguinte de madrugada, a notícia, dada pela Flavinha. Infarto fulminante. Soube depois que o vestido que ela usava, o mesmo do dia das mães, foi cortado de cima a baixo nas costas, na pressa dos médicos em tentar reanimá-la. Ela não tive coragem de ver depois, fiquei nos bastidores. Senti bastante, pois ela era uma força da natureza, sempre cheia de energia e bom humor, uma guerreira sempre com muitas histórias para contar.

O último capítulo dessa saga foi bem doloroso por não poder dar conforto à distância à família do marido, que não deixa de ser minha... Muitos elementos tornaram a perda mais sofrida: a pouca idade, a violência do acidente, a nova vida que Elvira estava começando. O que dizer aos pais numa situação dessas? Como consolar? Pelo telefone tudo parece ser tão frio e ensaiado, que fico até sem voz, sem ar. Nessas horas o toque, o calor humano é primordial. Palavras são apenas folhas ao vento quando se está quebrado por dentro.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Da dificuldade em lidar com o luto


Aos onze anos eu perdi meu avô paterno. Era um homem sério e circunspecto. Trabalhador, construiu um bom patrimônio para a esposa e os sete filhos. Quando eu nasci(a quarta neta), ele fez pra mim uma linda poesia: "Estrelinha". Nos comunicávamos através da lousa que ficava na parede da sala, trocando versinhos esporadicamente. Lembro de ter entrado um dia no quarto de meus avós e surpreendido meu avô de ceroulas, aquelas bem compridas, de antigamente. Não éramos de beijos, abraços e carinhos. Um dia ele se sentiu mal, andou até a Policlínica(uns quatro quarteirões), fez exames e se internou, sozinho. Só depois comunicou à família. Na noite deste dia os filhos conversavam sobre o revezamento no acompanhamento ao pai para a cirurgia de coração que ele faria. Não deu tempo, ele morreu de infarto na manhã do dia seguinte. Tinha oitenta e um anos. No velório, muita gente e muitas lágrimas de minha avó. Minha tia veio de Brasília para o funeral. Meu avô sempre dizia que não queria ser velado/enterrado de paletó, mas coberto com um lençol branco. E assim foi. Lembro que não chorei, até fiz força, achando que devia. Lembro que peguei no pé dele no caixão, por sobre o lençol, como havia visto minha avó fazer. Duro e frio. Tinha medo depois de vê-lo em qualquer lugar escuro, até dentro da lata de nescau... Tirando o temor do sobrenatural, a morte dele não me abalou tanto.

Aos vinte e um anos, perdi uma tia querida. Branquinha, sorridente e bem-humorada, me levou muito ao cinema e ao clube, com o restante da primaiada piveta. Casou e teve uma filha. Separou. Formou-se em Psicologia. Juntou e teve outra filha. Depois de constantes crises de enxaqueca e inúmeros exames de todo tipo, ela descobriu ter um aneurisma, do tamanho de uma bola de pingue-pongue. Conversou com todos sobre o assunto e as possibilidades, brincou sobre "última refeição" e fez preparativos legais(escritura da casa, bens das filhas etc). Lembro da conversa que ela teve com minha mãe(eu do lado, sem saber como inserir qualquer comentário ao ouvir ela falar no diagnóstico do médico). Desde aquele momento tive pressentimentos ruins, achei a idéia de uma cirurgia no cérebro algo por demais aterrador. Ela ficou cinco dias em coma e não voltou. Tinha trinta e seis anos. Na casa de minha avó a rotina do velório incluía choro e risos. Sentíamos fome e comíamos, inclusive minha mãe preparou um caldo "de bebo" que reanimou muita gente. Pessoas chegavam, mais choro, lembranças, risadinhas culpadas e chás com calmantes para minha avó. "Estou azeda de tanto chá!" ela disse já zangada, de tanto que ofereciam a ela. Lembro que a abracei muito, apertado. Não quis ver o corpo de minha tia. Sentava em frente ao caixão, cumprimentava todo mundo mas não quis ver, não queria essa lembrança pois sabia que me aterrorizaria no futuro e eu queria lembrar do sorriso de lindos dentes, da gargalhada, da torta de sardinha que só ela sabia fazer. Minha tia de Brasília ao ver o corpo da irmã ficou cinza, literalmente. Os olhos dela diziam tudo. Virei a noite no velório. Meu irmão que morava lá e dormia no quarto em frente à sala pediu que eu fosse dormir no quarto com ele, que estava impressionado e tinha medo de ficar só. Acabei tendo um pesadelo medonho e acordei aos gritos, apavorando a todos que estavam na sala junto ao caixão. Meu irmão? Roncava tranquilamente, enquanto eu saía do quarto aos tropeções, chorando. Me agarrei com todos e não quis mais saber de dormir. Dia amanhecendo, outra visão de uma mente transtornada: por cima do telhado da casa, julguei ver uma mulher de branco, cabelos ao vento, acenando pra mim. Paralisada, pedi a uma prima que fosse em meu socorro e olhasse na mesma direção que eu. Era um coqueiro balançando com a brisa... Vovó não quis ir ao cemitério. Por lá, meu pai fazia piada sobre como a pá do coveiro era afiada. Foi uma perda real, eu gostava dela e tivemos uma boa convivência.